Como sair da planilha na gestão da viação em Pernambuco: guia para viações

Pernambuco tem uma rede intermunicipal que vai do litoral ao sertão do São Francisco. As viações ligam a Região Metropolitana do Recife a Caruaru e ao agreste, a Garanhuns, a Arcoverde, a Serra Talhada, a Salgueiro, a Petrolina e a Araripina, além das praias do litoral sul, como Porto de Galinhas e Tamandaré. Em muitas empresas pernambucanas, a gestão dessas linhas ainda depende de planilhas preenchidas por várias pessoas, e cada fechamento exige um mutirão.
Este texto mostra como uma viação de Pernambuco pode migrar para um sistema de forma organizada.
Quando o problema deixa de ser pequeno
No começo, a planilha parece suficiente. O problema surge quando a empresa passa a vender em vários terminais, a ter dezenas de agências e a enfrentar picos como o São João de Caruaru. Nesse ponto, cada erro de digitação se multiplica e as conferências tomam o tempo que deveria ser usado para gerir.
EPTI e o cadastro de linhas
O transporte intermunicipal pernambucano é regulado pela EPTI, a Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal. As linhas, seções, horários e tarifas autorizados devem ser a fonte do cadastro no sistema. Vale montar esse cadastro com a documentação em mãos e não a partir das planilhas operacionais.
TIP e os terminais do interior
O Terminal Integrado de Passageiros, o TIP, em Recife, é o principal ponto de partida para o interior. Caruaru, Garanhuns, Serra Talhada e Petrolina também concentram vendas. Com estoque único, a poltrona vendida em qualquer terminal some na hora dos demais e do site.
São João e o agreste
O São João de Caruaru e as festas de outras cidades do agreste transformam a demanda por semanas. É a época em que vender a mesma poltrona duas vezes é mais provável em planilha. Com o sistema, a ocupação é acompanhada a cada venda, e os carros extras são definidos com antecedência.
Sertão e linhas longas
As linhas para o sertão e para o Vale do São Francisco são longas e passam por muitas cidades. A venda por trecho permite revender a poltrona liberada no caminho, e o controle por seção evita cobranças erradas.
Praias do litoral sul
Porto de Galinhas, Tamandaré e outras praias recebem turistas o ano todo, com picos no verão. Viações que atendem essas rotas precisam lidar com compras antecipadas, grupos e remarcações, tarefas que o sistema registra automaticamente.
Agências e pontos de venda
No interior, agências comissionadas vendem boa parte das passagens. No sistema, elas usam a mesma tabela do TIP, as comissões são calculadas por regra e o repasse é conferido por período.
Ordem da implantação
- Montar o cadastro com base nas autorizações da EPTI.
- Registrar cada veículo com sua planta de assentos.
- Testar primeiro a ligação entre Recife e uma cidade do agreste.
- Levar o TIP e os terminais do interior.
- Conectar os agentes de Araripina, Salgueiro e das praias do sul.
- Abrir a venda online e aposentar as planilhas.
Hora certa para virar
Evite fazer a virada em junho ou no verão. Um período de movimento normal permite corrigir ajustes sem pressão sobre a equipe.
Organização dos dados
Antes da importação, revise tarifas por seção, horários e nomes de paradas. Em linhas longas, com muitas cidades, pequenos erros se repetem dezenas de vezes.
Capacitação das equipes
Treinamentos práticos e curtos, no próprio terminal, preparam os atendentes. As agências do interior podem ser treinadas à distância, com material simples e suporte direto nas primeiras semanas.
Encomendas entre capital e sertão
Muitas viações pernambucanas transportam encomendas para o interior. Registrar o despacho no sistema, ligado a uma viagem, facilita rastrear o volume e conferir o frete.
Gratuidades por viagem
Lugares de idosos e pessoas com deficiência precisam ser controlados por partida. Lançados na emissão, esses benefícios passam a ter relatórios confiáveis.
Caixa e relatórios
Com cada venda registrada na origem, o caixa por operador fecha em minutos, e relatórios de ocupação, receita por linha e desempenho das agências ficam disponíveis sem consolidação.
Petrolina e o Vale do São Francisco
Petrolina, na divisa com a Bahia, é um polo de fruticultura irrigada e de serviços, com muitos passageiros que viajam a trabalho. Linhas que ligam o vale ao Recife percorrem todo o estado, e o controle por trecho é essencial para aproveitar as cidades do caminho. As viagens para Juazeiro, do outro lado da ponte, são interestaduais e seguem a ANTT.
BP-e e a SEFAZ-PE
Cada passagem intermunicipal emitida em Pernambuco é um BP-e. A Secretaria da Fazenda de Pernambuco (SEFAZ-PE) credencia a empresa para o BP-e, que é autorizado via SVRS. A emissão integrada evita digitação dupla.
Para ver as etapas gerais e os guias de outros estados, consulte o guia nacional para sair da planilha na gestão da viação.
Checklist pernambucano
- Cadastro conforme a EPTI.
- Estoque único entre o TIP, Caruaru, Garanhuns, Serra Talhada e Petrolina.
- Extras definidos para o São João.
- Venda por trecho no sertão.
- Virada fora de junho e do verão.
- Agências do interior treinadas.
Vexado: sair da planilha em Pernambuco
O Vexado oferece às viações pernambucanas venda e emissão de passagens num só sistema. O TIP, os terminais do interior, as agências e o site vendem sobre o mesmo estoque, e cada venda gera o BP-e.
O São João, as praias e as linhas do sertão passam a ser planejados com relatórios atualizados de ocupação, caixa e comissões.
Perguntas frequentes
Quem regula o transporte intermunicipal em Pernambuco?
A EPTI, Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal.
Qual o principal terminal de Recife?
O Terminal Integrado de Passageiros, o TIP.
Por que evitar a virada em junho?
Porque o São João aumenta muito a demanda no agreste.
Como aproveitar melhor as linhas do sertão?
Com venda por trecho e controle por seção.
Quem autoriza o BP-e em Pernambuco?
A SEFAZ-PE credencia a empresa para o BP-e, que é autorizado via SVRS.

